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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Deuterocanônicos ou Apócrifos?


DEUTEROCANÔNICOS OU APÓCRIFOS?
 
Os católicos praticantes, de modo geral, acusam os evangélicos de haverem “retirados alguns livros da sua Bíblia”, ao passo que estes últimos dizem que foram os católicos que os acrescentaram. O nosso objetivo, ao escrever estas poucas páginas, não é fazer acusações, mas trazer a lume os verdadeiros fatos sobre a controvérsia supracitada.

Na Novíssima Enciclopédia DELTA LAROUSSE, em fascículos semanais, pág. 285, Editora Delta S.A., 1982, sobre o verbete Bíblia, ao falar sobre os livros do Antigo Testamento, assim reza:

<<...No Antigo Testamento, os judeus e protestantes incluem 39 livros:... (a seguir é dada a lista com o nome dos 39 livros, e depois disto, continua:) Os católicos acrescentaram a essa lista seis escritos provenientes da Septuaginta ou versão grega dos setenta: Macabeus I e II, Baruch, a Sabedoria, o livro do Eclesiástico ou Sirácido, Tobias e Judite, além de algumas passagens dos livros de Daniel e de Ester. ...>>

Aos livros originais da Bíblia, a igreja católica chama de protocanônicos (primeiros canônicos) e aos acréscimos, a dita igreja chama de deuterocanônicos (segundo canônicos), e isso ainda é confirmado por várias traduções católicas da Bíblia, e, entre elas, a chamada BÍBLIA-Mensagem de Deus, 3ª edição, LEB - Edições Loyola, 1983, na parte IV - LIVROS PROTOCANÔNICOS E DEUTEROCANÔNICOS, pág. 10:

<< Um livro é canônico porque pertence ao cânon ou elenco dos escritos inspirados. Os protocanônicos foram considerados sempre e em todas as comunidades cristãs como escritos inspirados. Já os deuterocanônicos nos inícios do cristianismo, em algum tempo e junto a algumas comunidades cristãs, não foram sempre colocados no cânon. Para a Igreja católica, entre os proto e os deuterocanônicos não há diferença quanto à inspiração: ambos são igualmente inspirados. Praticamente a diferença existe só no Antigo Testamento. Os deuterocanônicos são os seguintes: quatro históricos (Tobias, Judite, 1.º e 2.º dos Macabeus), um profético (Baruc, com a Carta de Jeremias), e dois sapienciais (Eclesiástico e Sabedoria); as partes deuterocanônicas de livros protocanônicos são as seguintes: Est 10,4-16,24;  Dan 3,24-90;  Dan cc. 13-14.

 Numa Bíblia hebraica não se encontram os deuterocanônicos; o mesmo se dá com as Bíblias protestantes. Aqui está o critério seguro para distinguir uma Bíblia católica (que contém todos os livros deuterocanônicos, inclusive partes deuterocanônicas) de uma Bíblia hebraica ou protestante. Os protestantes ademais chamam os deuterocanônicos de apócrifos.
Em conclusão, o Magistério da Igreja universal sempre conservou o mesmo cânon, abrangendo todos os escritos bíblicos proto e deuterocanônicos.  E isto conforme consta dos documentos oficiais: na definição do Concílio de Trento (em 1546), repetida pelo Vaticano I (em 1870), na solene declaração do Concílio de Florença (a.1442). O Concílio Vaticano II repete a mesma doutrina (DV, 11)>>

Numa Bíblia traduzida da Vulgata (tradução para o latim das Escrituras) para a língua portuguesa, pelo padre Matos Soares, e editada pela Edições Paulinas – São Paulo, 1975, na Introdução, sobre o Cânon (inspiração dos livros bíblicos), página 10, a partir da terceira parte do segundo parágrafo, está escrito:
<<A partir do século XVI chamaram-se deuterocanônicos os livros cuja inspiração fôra temporâniamente impugnada por alguma Igreja; os outros, em vez, foram denominados protocanônicos.
São considerados livros deuterocanônicos:
No Velho testamento: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque e a Epístola de Jeremias, os dois livros dos Macabeus e alguns fragmentos do livro de Ester (10,4 – 16,24) e do livro de Daniel (3,24 – 90; - 13,1 – 14,42).
 ...
Para nós católicos, gozam da mesma autoridade tanto os livros protocanônicos quanto os deuterocanônicos, porque são todos igualmente inspirados; ao passo que os protestantes não dão nenhuma autoridade aos livros deuterocanônicos, porque os consideram não inspirados, e, portanto apócrifos. ...

Inspiração

Depois de haver declarado, no Concílio Vaticano, que os livros do Antigo e do Novo Testamento, inteiro e com tôdas as suas partes, conforme estão elencados no Concílio de Trento e se acham publicados na velha vulgata latina, devem ser considerados como sagrados, canônicos e divinamente inspirados...>>

E, na BÍBLIA SAGRADA Edição Pastoral, Edições Paulinas (1990), na Apresentação, pág. 5:
<<A partir do Concílio Vaticano II, a Bíblia retomou seu lugar na Igreja, como fonte e alma na vida cristã.>>

Como pudemos ver, pelas citações acima, foi somente a partir do século XVI, mas precisamente no Concílio de Trento em 1546 d.C., que os apócrifos foram acrescentados oficialmente às “Bíblias católicas”, e tal acréscimo aconteceu como resultado da Contra-Reforma, católica, à Reforma Protestante, iniciada em 1517. E foi somente com o Concílio Vaticano que os livros do Antigo e do Novo Testamento, inteiro e com todas as suas partes, conforme estão elencados no Concílio de Trento e se acham publicados na velha vulgata latina, devem ser considerados como sagrados, canônicos e divinamente inspirados pela igreja Católica. O mas interessante é que somente foram considerados sagrados, canônicos e divinamente inspirados os textos da tradução latina da Vulgata!! Mas, mesmo assim, foi somente a partir do Concílio Vaticano II (1960), que a Bíblia retomou seu lugar na Igreja (católica), como fonte e alma na vida cristã.!!!

¨    Qual o significado de CANÔNICOS, DEUTEROCANÔNICOS e APÓCRIFOS? Têm o mesmo significado?
É certo que não. Vejamos:

1.    Canônicos – são os livros da Bíblia inspirados por Deus, primeiramente entregue aos judeus (o Velho [Antigo] Testamento – Rom. 9:4) e os entregue aos cristãos, ou seja, o Novo Testamento.

2.    Deuterocanônicos – assim chamados pelos católicos aos livros acrescentados após os canônicos bíblicos, bem assim como a passagens acrescentadas a estes, e significa literalmente segundo canônico ou depois dos canônicos. Apareceram pela primeira vez após o cativeiro babilônico entre o I e o III séc. a. C., na Septuaginta ou versão grega das Escrituras Sagradas, mas só tornaram-se popular no séc. IV d.C. com Jerônimo ao acrescentá-los à sua versão latina das Escrituras, conhecida como Vulgata Latina. Vulgata significa vulgar, comum.

3.    Apócrifo – etmologicamente significa escondido, oculto. Em sentido doutrinal significa não inspirado. E na terminologia geral significa não autêntico, falso, espúrio. Este termo foi dado pelos protestantes aos livros acrescentados à Bíblia católica pelo Concílio de Trento, em 1546.

¨    De que tratam os Apócrifos (deuterocanônicos católicos)?

Conforme citação de Introdução de uma Bíblia católica, acima, os livros deuterocanônicos (apócrifos) são Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque e a Epístola de Jeremias, os dois livros dos Macabeus e alguns fragmentos do livro de Ester (10.4 – 16.24) e do livro de Daniel (3.24 – 90; - 13.1 – 14.42). Vejamos cada um deles, e o que dizem as próprias Bíblias católicas sobre estes:

1.         Tobias – O livro começa falando das provações (perseguição e cegueira) do piedoso velho Tobit (Tobias), cativo em Nínive, com seu filho Tobias. Mas, ao situar o contexto histórico, o autor erra feio: “É assim que o velho Tobit assistiu ao cisma de 931, e seu filho viu a ruína de Nínive em 612, portanto 320 anos mais tarde!” (BÍBLIA-Mensagem de Deus, 3ª edição, LEB - Edições Loyola, 1983, pág. 567, INTRODUÇÃO A TOBIAS, JUDITE E ESTER, 3º ponto). Tobit tem um filho por nome Tobias que parte para a Média e encontra-se com o anjo Rafael que lhe mente dizendo ser um “dos filhos de Israel teus irmãos. Aqui vim procurar trabalho.” (5:4-5) Ou, na Edição Pastoral (da Edições Paulinas): “Sou israelita, seu compatriota, e estou aqui procurando trabalho.” (v. 5) Na primeira noite, (cap. 6) às margens do rio Tigre, um peixe tenta devorar Tobias e o “anjo” manda que este domine o peixe e que tire-lhe o fel, o coração e o fígado e os guarde consigo, e depois explica-lhe o motivo: “o coração e o fígado do peixe, é preciso queimá-los em presença de um homem ou de uma mulher que sofram ataques do demônio ou de um mau espírito; e os ataques cessarão, nunca mais tornando a se reproduzir.” (6:8) O fel seria para esfregar nos olhos de um homem cego por escamas brancas, e depois de soprado, este ficaria curado. Tudo isso é pura feitiçaria!!! Ao chegarem à Média o “anjo” Rafael, que se dizia chamar Azarias, manda que Tobias peça em casamento a mão de Sara, uma parente sua. Mas havia um problema: ela já havia tido sete maridos, mas ainda continuava virgem, pois, na noite de núpcias um demônio matava-lhe o noivo antes de se juntarem. (6:14) Na noite de núpcias, “recordou-se Tobias das palavras de Rafael; tirou do saco, onde os pusera, o fígado e o coração do peixe, colocou sobre as brasas do perfumador. O odor do peixe afastou o demônio, que fugiu para as regiões do Alto-Egito; Rafael segui-o, prendeu-o lá, e o amarrou imediatamente.” (8:2-4) E, para encurtar a história, no final Tobias esfregou o fel nos olhos de seu pai e este recuperou a vista, o anjo se deu a conhecer, etc. 
, 3º ponto). Tobit tem um filho por nome Tobias que parte para a Média e encontra-se com o anjo Rafael que lhe mente dizendo ser um “dos filhos de Israel teus irmãos. Aqui vim procurar trabalho.” (5:4-5) Ou, na Edição Pastoral (da Edições Paulinas): “Sou israelita, seu compatriota, e estou aqui procurando trabalho.” (v. 5) Na primeira noite, (cap. 6) às

Além da prática do exorcismo através da feitiçaria com o miúdo de peixe e de um anjo mentiroso, há esta heresia na 1ª parte do cap. 12, verso 9: A esmola salva da morte e purifica de todo o pecado. Os que dão esmola serão saciados de vida.” Por este verso podemos compreender porque o Concílio de Trento, em 1546, incluiu este livro na Bíblia católica: a dita igreja praticava a simonia e a venda de indulgências, ou seja, a venda do perdão dos pecados, fato este um dos principais motivos que desencadeou a Reforma Protestante, 29 anos antes. A partir daí, começou a haver base “bíblica” para tal prática. Ninguém compra a Deus, nem a salvação com esmolas. “O Sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (Jo. 1:7)

2.         Judite - “No livro de Judite, o Nabucodonosor caldeu aparece como rei dos Assírios reinando em Nínive, que já havia sido destruída pelo pai dele desde 612!” (1:1, 11; 2:1, 4) “E a geografia é ainda mais maltratada que a história, o que não impede que haja muita coisa exata tanto no plano histórico como geográfico” (BÍBLIA-Mensagem de Deus, 3ª edição, LEB - Edições Loyola, 1983, pág. 566, Introdução a Tobias, Judite e Ester, 3º ponto) “A grande indiferença que este livro demonstra pela história e geografia indica que o seu autor não pretende relatar fatos históricos concretos.” (BÍBLIA SAGRADA Edição Pastoral, Edições Paulinas, 1990, Judite, Introdução, pág. 544)  Com tantos erros históricos e geográficos, pode ser este um livro inspirado pelo Deus da Verdade? (Jo. 17:17) Este livro foi escrito na Palestina por volta do séc. II a.C., e conta a estória de Judite, uma bela viúva israelita, rica, e devota, que nos dias da invasão babilônica de Judá, usando de artimanhas, entra na tenda de um general babilônico e, ao fingir entregar-se a ele, decepa-lhe a cabeça salvando a sua cidade sitiada.

3.         Sabedoria – O livro grego da Sabedoria faz parte dos livros deuterocanônicos. Foi utilizado pelos Padres desde o século II a.C. e, não obstante certas hesitações e oposições em particular a de São Jerônimo, foi reconhecido como inspirado da mesma forma que os livros do cânon hebraico. (Bíblia de Jerusalém (1979), Sabedoria – Introdução, pág. 1200)  “Algumas de suas páginas puderam envelhecer, mas os nove primeiros capítulos nada perderam de sua atualidade; os cinco primeiros, sobretudo, têm a posse de uma eterna juventude.” (BÍBLIA-Mensagem de Deus, Edições Loyola, 1983, pág.   686,   INTRODUÇÃO   AOS   LIVROS   POÉTICOS   E   SAPIENCIAIS,   7º  ponto) Se algumas de suas páginas puderam envelhecer, logo, não é a Palavra de Deus, pois esta é sempre atual e permanece para sempre (Mar. 13:31). Embora este livro esteja empregnado de filosofia helenista, com alguns erros doutrinários, há também muito de belo em seus ensinamentos, pois há muita semelhança com Jó, Provébios e Eclesiastes, embora, obra puramente humana. Há alguns capítulos destinados ao combate à idolatria, tendo paralelo a descrição da obra do artífice idólatra (13:10-19) com Isaías 44:9-20, e uma perícope sobre a origem da idolatria (14:12-31).  Este livro foi escrito nos primeiros decênios do 1º séc. a.C., e por isso, o mais recente dos apócrifos. O autor, um judeu alexandrino faz-se passar por Salomão. O próprio são Jerônimo foi obrigado pelo papa a incluí-lo em sua Vulgata latina, no séc. IV.

4.         Eclesiástico -  Este nome (Liber Ecclesiasticus) foi dado por um “são” Cipriano, à obra de um certo Jesus, filho de Sirá. Na católica Bíblia-Mensagem de Deus, Edições Loyola, este livro recebeu o nome de Sirácides(*), pois o autor grego finaliza sua obra dando-lhe o nome: “Sabedoria de Jesus, filho de Sirác.”  O seu gênero literário é sapiencial, semelhante ao livro de Provérbios. Segundo o seu autor grego, este livro é uma tradução de um original hebraico escrito por seu avô Jesus (Heb.: Josuá). Fragmentos do seu texto hebraico têm sido encontrados, mas a igreja romana “canonizou” a tradução grega, com exceção do prólogo do tradutor, conforme nota “a” sobre este na católica Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas, 1979. Este livro foi também “canonizado” pelo Concílio de Trento, em 1546, por ter um texto que apoia a venda de indulgências praticada pela igreja romana e combatida pelos reformadores:
“A água extingue o fogo e a esmola apaga os pecados.”  (3:30 – BÍBLIA Mensagem de Deus);
“A água apaga a chama, a esmola expia os pecados.”   (Bíblia de Jerusalém).

5.         Baruque e a Epístola de Jeremias – Embora o livro comece com as palavras: “Livro escrito por Baruc, filho de Nerias, filho de Maasias, filho de Sedecias, filho de Asadias, filho de Helcias, quando estava na Babilônia, no sétimo dia do mês, no quinto ano da época em que os caldeus tomaram Jerusalém e a incendiaram”, (1:1, 2) e o seu autor apresente-se como o mesmo Baruque, discípulo e secretário do profeta Jeremias, (Jer. 32:12, 13; 41:1; 51:59) isto não é verdade como muito bem reconhecem os teólogos e comentaristas católicos, e onde podemos confirmar na introdução ao livro de Baruc, da católica Bíblia Sagrada Edição Pastoral, 4ª reimpressão de 1990, pág. 1078, 4º ponto: “É certo que estes textos não são de Baruc, o secretário de Jeremias, mas foram escritos provavelmente no século II a.C.”, ou escritos em “meados do I século a.C.” (Bíblia de Jerusalém, pág. 1344), pois todo o seu conteúdo, reflete o período helenístico e macabaico (séculos III a I a.C.). Logo, é um pseudepígrafo, ou seja, uma falsa assinatura. O livro é composto por diferentes gêneros literários: pretende ter uma introdução histórica, mas erra ao dizer que Baruque pegou os utensílios da Casa de Deus que estavam em Babilônia e os manda de volta a Judá (1:8, 9), pois como muito bem reconheceu a Bíblia de Jerusalém em nota de rodapé, pág. 1593, letra “f”: “Os livros históricos mencionam a volta dos vasos sagrados somente no tempo de Ciro (Esd 1,7-11)”; a primeira parte em prosa (1:15 a 3:8); a segunda parte em poesia (3:9 a 5:9) e por fim uma carta atribuída ao profeta Jeremias contendo uma sátira à idolatria (cap. 6). A obra consiste, na maior parte, de paráfrases de Jeremias, Daniel e outros profetas.

6.         I livro dos Macabeus – É um livro histórico que conta a resistência macabaica contra a expansão do helenismo através dos soberanos selêucidas. Começa com o advento de Antíoco Epífanes (ou: Epifânio) em 175 a.C. e vai até o advento de João Hircano em 135 a.C. Nessa época não havia profeta, logo, não havia revelação divina. (4:46; 9:27; 14:41) No cap. 6 está registrada a história da morte do rei Antíoco Epífanes, onde se diz que este morreu em terra estrangeira após grandes momentos de depressão e tristeza por causa das derrotas afligidas aos seus exércitos e o reconhecimento de que isto aconteceu por causa dos males feitos a Jerusalém e ao extermínio dos habitantes de Judá (versos 12 e 13).

7.         II livro dos Macabeus – Este segundo livro começa narrando fatos ocorridos “no tempo do pai de Antíoco Epífanes, e só acompanha o primeiro livro durante os primeiros sete capítulos. O que há de comum entre os dois livros é a época, em parte, e o assunto que é a salvaguarda do Judaísmo face à invasão do Helenismo. No mais, as diferenças são grandes: o primeiro livro foi composto em hebraico, embora só reste a tradução grega. O Segundo livro foi escrito em grego. O primeiro é uma obra original, embora traduzida, o segundo é um resumo dos 5 livros de um certo Jason de Cirene. O primeiro livro acentua mais o esforço humano, o sacrifício e o heroísmo; o segundo é mais místico, insiste mais sobre o espírito religioso, e sobre as intervenções miraculosas. O segundo é anterior ao primeiro e deve ter sido redigido por volta de 124. O primeiro  livro data aproximadamente do ano 100 a.C.”  (BÍBLIA Mensagem de Deus, Introdução aos Livros dos Macabeus, pág. 618) O segundo inicia com duas cartas dos judeus de Jerusalém aos judeus que estão no Egito (1:1-9, 10-18), onde a segunda carta narra a morte de Antíoco Epífanes na Pérsia como resultado de um estratagema dos sacerdotes de Nanéia, deusa mesopotâmica assimilada à Ártemis (Diana) dos Efésios. Ao entrar Antíoco no templo com poucas pessoas, para pilhá-lo, os ditos sacerdotes fecharam o templo, abriram uma porta secreta e atiraram pedras nos invasores até matá-los. Após isso, “esquartejaram os corpos e, cortando-lhes as cabeças, atiraram-nas aos que estavam do lado de fora. (v. 16) Esta versão da morte de Epífanes não somente contradiz a versão de 1ª Macabeus, mas contradiz uma terceira versão dada neste mesmo livro, no cap. 9, onde se diz que Antíoco, por castigo divino, após querer transformar Jerusalém em cemitério, depois de grande mortandade, (v. 4) foi atacado de dor nas entranhas e intolerável cólicas interiores, (v. 5). Por não ter-se arrependido, sofreu outro castigo: caiu do carro em movimento, e tão grande foi a queda, que  todos os membros do seu corpo foram afetados. (v. 7) Após isso, de seu corpo saíram vermes em abundância, suas carnes caiam em pedaços, causando-lhe dores atrozes, e o mau cheiro que exalava era insuportável (vs. 9, 10). Depois disso, o seu orgulho foi abatido e ele arrependeu-se de seus pecados com orações a Deus, prometendo tornar-se judeu após cura (v. 17) e pedindo orações dos judeus a seu favor. Em nada foi atendido e morreu miseravelmente. (v. 28). Quantas contradições! Como podem estes livros serem inspirados pelo Deus da verdade? E é desta forma que o livro finaliza: “...Se a composição está bem feita e preenche sua finalidade, foi isso que desejei. Se está fraca e medíocre, é porque melhor não pude fazer. ...” (15:38) Como pode um livro inspirado por Deus correr o risco de ser fraco e medíocre? Mesmo assim, com tantas contradições e aparições fantasiosas de anjos (?) vingadores (3:24-27) este livro foi “canonizado” pelo contra-reformista Concílio de Trento (1546 d.C.) por conter passagens que apoiam a venda de indulgências, a oração e missa a favor dos mortos: (Judas Macabeu) “fez uma coleta entre os soldados, e mandou a Jerusalém cerca de duas mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício expiatório.” (12:43,a) “Eis porque m andou oferecer aquele sacrifício pelos mortos, para que ficassem livres do pecado.” (v. 46 [45]). O único sacrifício que nos livra do pecado foi o do Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo. 1:29; 1Jo. 1:7) E não pode ser repetido sem que haja blasfêmia. (Heb. 6:6;  7:26-28;  9:27-28).

8.         Por fim, os “acréscimos deuterocanônicos aos livros protocanônicos”, como dizem os teólogos católicos romanos. Como já foi citado acima, na primeira página, “as partes deuterocanônicas de livros protocanônicos são as seguintes: Est 10,4-16,24Dan 3,24-90Dan cc. 13-14.” (BÍBLIA-Mensagem de Deus, 3ª edição, LEB - Edições Loyola, 1983, pág. 10)

8.1  Ester – Contrariando ao que é dito na citação acima, os acréscimos apócrifos ao livro de Ester são em maior número nas Bíblias católicas, com algumas divergências:
1º - Antes do cap. 1, como Introdução, a Bíblia de Jerusalém (Ed. Paulinas) e a Bíblia Mensagem de Deus (Ed. LEB-Loyola) acrescentam dois apêndices chamados “O Sonho de Mardoqueu” [Mordecai] (1a–1l) e “Conjuração [Conspiração] Contra o Rei” (1m–1r), ambos omitidos pelas Bíblia Edição Pastoral e pela tradução do Padre Matos Soares;
2º - Cap. 3:13a –13g , uma cópia do édito do rei Assuero contra os judeus;
3º - Cap. 4:8a–8b, uma palavra de conforto de Mardoqueu (Mordecai) a Ester;
4º - Cap. 4:17a–17i, uma oração de Mardoqueu, e 17k–17z, uma oração de Ester;
5º - Cap. 9:19a, um acréscimo expansivo ao verso 19;
6º - Cap. 10:3a–3k, últimas palavras por Mardoqueu, e v. 3k , considerações finais.

Obs.: A versão do Pe. Matos Soares traz estes e outros acréscimos latinos como apêndices deuterocanônicos, que vai do cap. 10:4 ao cap. 16, mas antes, com a seguinte observação encontrada na Vulgata latina de Jerônimo: “Traduzi com toda fidelidade o que se encontrava no Hebreu. Mas o que se segue, achei-o escrito na edição Vulgata, como se contém nos exemplares gregos. Todavia, no fim estava posto este capítulo, o qual, segundo o nosso costume, notamos com um óbelo.”  Em nota de rodapé há esta observação de Matos Soares: “Traduzi com toda fidelidade... Esta nota e as seguintes que estão em itálico por entre o texto, são de São Jerônimo. ¾ Na edição Vulgata. A edição que S. Jerônimo chama Vulgata é a antiga tradução latina, de que a Igreja Ocidental usava no seu tempo, feita sobre os setenta. Óbelo era um sinal pelo qual os críticos Alexandrinos indicavam as passagens interpoladas ou duvidosas.”

8.2 – 1º - Daniel 3:24 a 45, traz um “Cântico [oração] de Azarias na fornalha”, os versos de 46 a 50 “O anjo do Senhor no fogo” e os versos de 51 a 90 – traz o conhecido “Cântico [Oração] dos Três Jovens”;
2º - Daniel capítulo 13 – Conta a estória de Susana, esposa piedosa de um judeu rico de Babilônia, a qual é acusada injustamente de adultério e é inocentada pela sabedoria de “Daniel”.
3º - Daniel capítulo 14 – Outra ampliação inautêntica do livro de Daniel. Conta a estória dos ídolos “Bel e a Serpente” (Ou: Bel e o Dragão), onde Daniel desmascara os embustes dos sacerdotes de Bel (o Baal babilônico). Uma das estórias baseia-se na história de Daniel na cova dos leões.
Os próprios teólogos e comentaristas católicos romanos consideram estes dois últimos apêndices como lendas atribuídas a Daniel.
É, sem sombra de dúvidas, um crime literário quando alguém acrescenta determinadas frases, textos, etc., a uma determinada obra, sem a devida permissão do seu autor, ou fazer-se passar por este.
Embora todos estes “acréscimos deuterocanônicos” como dizem os romanistas, possam ter ensinamentos edificantes, se são acréscimos, NÃO FAZEM PARTE DA BÍBLIA ORIGINAL, e por isso, são ESPÚRIOS!

Assim diz a Palavra de Deus:
 “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; “e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.” (Apocalipse 22:18, 19)

 “Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso.” (Provérbios 30:6)


Em Cristo: Luís Antônio Lima dos Remédios  (5-8 de Setembro de 2000).



(*) Sirácides – O sufixo ides significa: “filho de”, assim “como Alcides (filho de Alceu), Aristides (filho de Aristeu), Euclides (filho de Êucles), Basilides (filho de Basílio), etc.” (obra citada, nota de rodapé, 4º parágrafo, pág. 1016.



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Luís - ܠܘܝܣ לואיס - Λουις



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